Matéria do site "O Babado", publicada em 08 de Novembro de 2002, onde Miguel faz duras críticas ao país. Foto ilustrativa.
"Miguel Falabella diz se entristecer com o desnível social no Brasil. É por conta disso que, a cada espetáculo teatral, ele tenta proporcionar ao público uma reflexão sobre a história do país, seja ela cultural ou até mesmo política. Na peça Capitanias Hereditárias, que reúne no palco José Wilker, Natalia do Valle, Ney Latorraca, Bia Nunnes, Guilhermina Guinle e Edi Botelho, não é diferente. Falabella e Maria Carmem Barbosa tratam de uma burguesia que dá um golpe financeiro que paralisou a nação e que, de uma certa forma, continua impune no exterior.
- Um dia um amigo meu falou para eu entrar na página do FBI do Brasil. Vi tantos homens que já deram golpes no país e hoje todos vivem maravilhosamente bem tomando champanhe e a gente fica aqui dançando axé feito uns bestas. É importante tratar de um assunto como este porque as pessoas não têm memória. É uma vontade de falar da nata gordurosa. Tudo que está no palco existe, afirma o ator.
O diretor tem a convicção de que os atores e a imprensa podem dar uma contribuição ao povo para que ele se torne mais atuante perante as situações políticas, culturais e sociais do Brasil.
- De que maneira se escraviza um povo? Roubando a sua inteligência. O Primeiro Mundo não permite que tenhamos esclarecimento porque o compramos. Sou um cara do samba, não tenho interesse em tomar champanhe e mostrar a minha casa. O que me interessa são as pessoas que tenham alguma coisa para me dizer sendo ricas ou pobres. Esse texto é muito mais de urgência, para dar um grito... Olha a que ponto chegam as coisas? Cada um vai analisar este espetáculo da forma que quiser e tirar as suas conclusões.
Tratando-se de uma comédia politizada, o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, não teve o seu nome esquecido durante a entrevista na platéia do Teatro Clara Nunes, no Rio. Miguel conta que votou no candidato do PT e que chegou a comemorar a vitória do ex-metalúrgico no meio da rua.
- Lula foi um avanço. Não tive medo da mudança, quem fica amedrontada é a burguesia porque para ela não interessa se está bem e estar bem cercado de miseráveis. Só vejo pessoas desesperadas. Eu não consigo ser feliz neste país da maneira que ele está. Acho de um cinismo quem fala que vivemos em uma estabilidade. Tenho esperança, sei que não vai ser fácil.
A comédia estréia no próximo dia 15 no Teatro Clara Nunes e depois deve ser apresentada, em janeiro, na Argentina. O diretor acredita que o assunto abordado em Capitanias tem a ver com o momento de crise que os argentinos estão vivendo.
- Tem tudo a ver. Eles estão em uma barra muito pesada, finaliza"
2 comentários:
Infelizmente ele está certo.Digo infelizmente pq de 2002 pra cá nada mudou e nem vai mudar enquanto o povo não tiver consciência suficiente p/ votar certo e pra isso precisamos de um sistema educacional melhor.Aí fica a pergunta: será que é isso mesmo que quem está no poder quer?Tenho minhas dúvidas.Para eles quanto mais o povo(especialmente o mais carente)for "ignorante" melhor pq é mais fácil de ser enganado.Triste realidade a nossa.
É por isso que admiro muito o Miguel. Ele é um cara que, além de inteligente, tem opinião e sempre trabalha para levar cultura e um pouco de reflexão para o povo.
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