11 de novembro de 2009

3x28 - Balanço do Episódio


"A cada critica ou glosa que faço, é um regozijo que se vai, de cabeça baixa, pelo corredor da angústia, da amargura, da consternação. O saber de que este programa irá fechar suas portas em tão escasso tempo é algo tão pusilânime, tão pernicioso. É como levar uma criança ao mundo mágico da brincadeira, e amarrá-la a uma pilastra, proibindo-a de deleitar-se de toda aquela magia juvenil. Meu cerne lagrimeja. É como se um filho, ou um progenitor, estivesse estertorando a aflição de um câncer. Apesar de vivo, sabemos que mais cedo ou mais tarde, irá ir-se embora, deixando unicamente as perenes lembranças de todo o júbilo que, contíguo com ele, passamos. As consecutivas voltas dos ponteiros num relógio marcado pela consternação, é uma fidúcia de que o “Toma Lá” foi, mas o “Dá, Cá” nunca retrogradará. Talvez a qualidade do texto dos derradeiros episódios tenha sido inferior em analogia aos do auge do programa, mormente na segunda temporada, de propósito, para que no vindouro, quando lembrarmos dele, possamos dizer: “Se não acabasse, teria se demudado em mais um programa, dos infindáveis que já foram exibidos na teledramaturgia brasileira. Deixe-me lembrá-lo como o programa. Estadear seu nome as próximas gerações”.
O episódio de hoje não foi esplêndido, tampouco divinal. Contudo, me contentou. Para algo que vai acabar no próximo mês natalino, período este que, por teoria, deveríamos ser mimoseados e brindados, e não devolvermos um presente de anos as estantes frias que arquivam os acervos da Rede Globo, não podemos deprecar assaz predicado. É um espelho da vida: na primeira fase, marcada pela infância e juventude, a pessoa deve ser alentada e hílare, no entanto, é preciso acatar todas os seus percalços; na segunda etapa, devemos assoalhar o melhor de nós, pois é o período em que nos encontramos no fastígio da nossa idoneidade, física e moral; já na terceira idade, a vetustez, não se deve deprecar muito, apenas contentar, adjacente ao amado, os últimos momentos que lhe restam de história, para não se arrepender depois, por não ter valorizado-o como o mesmo merecia. Destarte, vamos vivenciar estes derradeiros episódios que nos restam, com júbilo, com alacridade, sem qualquer tipo de frustrações. Se nosso filho sofreu uma queda, vamos jazer do seu lado até o derradeiro momento, ininterruptamente, com um extenso sorriso na face. Continuaremos a ratificar nossa amabilidade e ternura por ele, jamais nos queixando do que ele pode nos abrolhar.
Todavia, no “Safados na Pista”, houve momentos satisfatoriamente atraentes e bem divertidos. A propensão de Alessandra Maestrini é algo a ser rebuscado, aliás, o talento de todos ali deve ser averiguado. Os momentos de demência explícita de Bozena garantiram boas, mas curtas risadas, isso, por a mesma ter falado pouco, num episódio em que as participações subjugaram os personagens fixos. Não é toda atriz que teria a aptidão de dar vida a esta paranaense. Débora Bloch acertou quando indicou a Alessandra para compor o papel. De uma pequena participação em uma novela à glorificação como atriz. Espero que ela faça o mesmo sucesso em sua nova faina, na novela “Tempos Modernos”, com presciência de estréia para janeiro do ano que sucede o corrente, onde interpretará uma cantora lírica. Se for bem aproveitada pelo autor, o estreante Bosco Brasil, com certeza cairá nas graças do público e passará a ser lembrada como a “Alessandra Maestrini”, não recebendo, pois, o inconfortável epíteto de “A Bozena do Toma Lá, Dá Cá”. Neste aspecto, acho vital o velório do nosso programa.
A cena em que Mário Jorge tenta explanar como foi o acidente que vitimou Arnaldo foi uma das melhores. Nunca poderíamos conceber que aquele pai de família, hodierno nas primeiras temporadas, pudesse se transformar num irmão de Caco Antibes, o homem que encabeçou a lista dos maiores embusteiros da televisão brasileira a partir do ano do perecimento do quarto presidente da ditadura militar, Ernesto Geisel, até o da conquista do nosso pentacampeonato de futebol. As caras e bocas do corretor ao tentar nutrir um aleive foi um dos fatores que fizeram majorar a média final do programa. Miguel, que no episódio anterior estava um pouco apagado, encontrou novamente a luz e chamejou, contíguo com Diogo Vilela, que foi uma das estrelas do episódio.
Copélia é, sem equívoco algum, a responsável por a admoestação do programa ser para maiores de quatorze anos, contudo, se a conjuntura continuar deste jeito, daqui a pouco, nos depararemos com uma tela negra no início de cada episódio, indicando que só as pessoas acima da idade do delirante arquiteto Oscar Niemayer podem assistir. A reunião dos viciados na voluptuosidade só não foi moralmente pior, porque todos ali fingiam que haviam findado com o achaque sexual. Caí do canapé ao ouvir Arnaldo sendo acusado de pederasto, ou seja, o relacionamento erótico de um homem adulto com um mancebo. Para quem tenta nutrir, mesmo que simbolicamente, a ética, foi uma bela facada nas costas.
Importante enfatizar as luxuosas participações especiais. Sem elas, o episódio perderia sua graça, que já não foi muito grande. Fafy Siqueira arrasou interpretando a lésbica Clotilde. Suas cenas foram excelentes, mormente a que tenta engodar a nossa doméstica paranaense, que na vida antecedente, com fidúcia foi uma mascate de calçados, pois nunca vi atrair tanto sapato. A atriz Mirna Rubim foi a grande estrela do episódio. Aqueles breves minutos em que cantou uma ópera, no final do episódio, foram magníficos, arrebatadores. Sua voz é esplêndida, luxuosa. Pena ter sido empregada num momento impróprio. Ela não poderia ter coruscado naquele momento. Faltou elaborar um final mais digno. E os quinze minutos? As famílias conseguiram sair do salão de festas antes que as portas se fechassem? Dúvidas intermináveis.
Nos dois últimos blocos, difamaram muito o sexo, que na veridicidade, é a cousa mais castiça que os céus deixaram na Terra. Chamem-me de conservador, mas neste aspecto, não concordei em nenhum momento com os autores. Outro mote que critico é o não aproveitamento de Stella Miranda no episódio. Em uma história onde ela poderia faiscar, acabou ficando como uma reles figurante. Suas risadas esquizofrênicas fizeram falta.
O que nos resta cometer, voltando ao assunto inicial da análise, é nos contentarmos com o que nos é servido. Um dia comemos nozes, bebemos os mais soberbos vinhos, mas no outro, podemos comer pão e bebermos água. Mas tudo são víveres. Tudo é divinal. Nada se renega. Mesmo apresentando um declínio na qualidade dos episódios, é sempre primoroso sentar na poltrona e assistir o “Toma Lá, Dá Cá”. Quando suas cortinas cerrarem, levando consigo aquele extraordinário espetáculo, estarei na platéia, macambúzio, triste. Contentarei-me com as reprises e me arrependerei ter criticado a má qualidade dos episódios, como fiz hoje aqui. Um dia, tudo de mal que falei sobre o programa, ficará engasgado na minha garganta e eu passarei a me considerar um ingrato, por ter cuspido no prato em que tanto comi."

Abraços!

2 comentários:

Unknown disse...

O final do episódio "Safados na Pista" foi mesmo magnífico. A atriz Mirna Rubim cantando no final do programa acabou, na minha visão, dando um toque de suavidade naquela loucura toda que foi a reunião dos compulsivos por sexo. E o Mário Jorge, às vezes, me faz lembrar mesmo o Caco Antibes com toda a sua arrogância e falta de caráter. Porém o Miguel, com todo o seu talento, consegue fazer com que a gente goste do Mário Jorge, assim como a gente gostava do Caco Antibes.
Deixe eu terminar por aqui, que eu estou falando demais! Já estou com saudades do Toma Lá, Dá Cá!

Mariana disse...

eu gostei da primeira parte do episodio, ja a segunda com arnaldo tratado de pederasta fio demais, innesesario, poderian haver recurrido a outras situaçoes engraçadas e aproveitado mais o actor.
desculpem o portugues sou uma fa de Miguel desde Uruguay, muito bom o blog!