5 de novembro de 2009

3x27 - Balanço do Episódio

"Tivemos nestas últimas duas semanas o primeiro contato com uma história que se prolonga por dois episódios. Lealmente, no meu humilde conceito, não é um formato que muito me agrada. É algo previsível. Se a primeira parte for capaz, podemos esperar algo legal depois, mas se não for, não devemos cunhar perspectivas para o prolongamento, pois com fidúcia irá se manter no mesmo patamar da parte inicial. Foi precisamente isso o que calhou com “O Asilo das Almas Aflitas”. A primeira parte, blasonado nacionalmente na semana passada, mostrou-se boa, porém, claro, não chegando aos pés do grau de humor que a série conquistou ao longo de sua exibição. A continuação conseguiu melhorar um pouco, porém algo quase irrelevante. Quiçá por isso a execrável audiência conquistada, que não é fruto somente do horário da apresentação do programa, como também da qualidade dos episódios que ultimamente vêm sendo exibidos.
A continuação, ao contrário do inicio, foi chistosa pelo conjunto da obra, não por algumas cenas desirmanadas. É como em estilos musicais, podemos cotejar. A segunda parte pode ser rotulada como um samba, por seguir uma mesma linha de tom, de harmonia, e a primeira como um rock, por apresentar momentos em que predominam o som das guitarras e outros instrumentos musicais mais suaves, e alguns instantes dedicados à bateria, que dá aquela força imponente à música. Portanto, as cenas avulsas da primeira parte é o momento de bateria na música de um rock pesado.
No episódio desta semana, vários foram os destaques. O início estava majestoso, divinal. O narrador fazendo aquele retrospecto fez parecer que tudo se tratava de um filme policial, onde precisávamos desvendar a identidade do assassino. Hilário, por se tratar de verdade trata de um programa de comédia, onde o impossível pode ser solidificado num estalar de dedos. A reação da Copélia no momento em que os homens da MIJA, a Milícia do Jambalaya, apareceram... Prefiro não comentar. Tenho certeza de que as portas do céu estarão abertas para ela no dia em que a mesma fenecer, pois ela foi a responsável pela alacridade e hilaridade de toda uma era, a Era Copélia Rocha.
O desmazelo de Rita e Mário Jorge para com seus filhos é algo chocante. Não querer abrir a porta, numa conjuntura em que os garotos poderiam finar-se, por simplesmente não gostarem dos modos que eles enxergam a vida é algo atemorizante, intimidante. Ainda bem que num programa de humor isso passa desapercebido e acaba resultando em divertidas e vastas gargalhadas. Preciso ressaltar a extraordinária “atuação dramática” de Adriana Esteves, na cena em que Celinha lagrimeja a possível perda do filho Adônis, um pouco apagado no episódio, diga-se de passagem.
As participações foram excelentes, embora pouco aproveitadas. O modo desleixado de Jânio é simplesmente hilariante. Malandros, embusteiros são sempre queridos por todos, não é a toa que Zina, integrante de um programa da Rede TV pego com uma cápsula de cocaína na semana passada, é tão admirado por muitas pessoas. Pena que muitos confundem ficção com vida real. Nota zero neste aspecto. A Thais Portinho é uma atriz que eu ainda não conhecia, no entanto, pelo que pude ressalvar, é assaz habilidosa, talentosa. Com certeza, ao invadirmos residência de Pércia, a primeira coisa que iremos encontrar é um corrupião preso numa gaiola. Uma espécie de espelho.
Stella Miranda, contíguo com Diogo Vilela, foi à estrela do episódio. Dona Àlvara provou ser mulher com várias personalidades. Nos primeiros blocos, foi tirana, déspota, ameaçando os condôminos, principalmente Arnaldo. Contudo, um pouco mais adiante se deleitou nas águas da meiguice, da afabilidade, da carência. À parte em que revela que o verdadeiro motivo pela sua animosidade e rancor ao Jânio Boquinha é pelo fato de o mesmo nunca a ter pegado, no mal sentido da palavra, foi um dos pontos altos da história. Junto com a diva, se destacaram também Miguel Falabella, Arlete Salles, Adriana Esteves e Norma Bengell, que por estar sentada de frente para a porta, como sua personagem Deise, acabou sendo um seixo no calçado de todos da família Moreira e Dassuan.
A canção do Hino do Jambalaya foi a melhor parte do episódio e acabou fazendo com que o mesmo findasse com chave de ouro. Arnaldo, sempre tão obcecado com suas tarefas e empreitadas, viu sua aspiração de cantar terminar quando foi anestesiado pelos revolucionários Pérsia e Jânio Boquinha. As expressões faciais de Diogo Vilela ao compor aquele momento de seu personagem foram no mínimo perfeitas. Nota dez. A história, que inicialmente criticava o golpe ao presidente de Honduras, Manuel Zelaya, acabou terminando com uma critica indireta a cantora Vanusa, que em março deste ano, cantou de uma forma totalmente errada o Hino Nacional Brasileiro, em um evento promovido pela Assembléia Legislativa de São Paulo, por supostamente estar sobre efeitos de remédios. Um incidente lastimável, que acabou se tornando gracioso na voz dos personagens do programa.
E como o conflito no Jambalaya já está suprimido, Copélia não carece mais de afrontar seus opositores. Neste exato momento, pois, certamente se encontra na varanda de seu apartamento, gritando sua célebre frase, porém, agora, com algumas adaptações: “Ao povo na rua, vem cá que estou nua!”.
Abraços!

2 comentários:

Unknown disse...

O Arnaldo cantando o hino do Jambalaya estava hilário mesmo. Acho que ele até cantou melhor que a Vanusa!
Acho que você tem razão também, quando disse que os malandros embusteiros são muito queridos pelo povo. E, realmente, são. Porque o povo precisa muito de ídolos populares, que venham das camadas mais humildes da sociedade, e que lutam, diariamente, para sobreviver num mundo hostil como o nosso. Acho que é por isso que eles fazem tanto sucesso.

Thalles disse...

Adorei o Arnaldo cantando o hino, Vanusa perdeu feio contra ele auhauaha