28 de outubro de 2009

2x26 - Balanço do Episódio

O que eu mais temia nesta nova maneira de se contar uma história, dividindo-a em dois episódios, era de o primeiro não fosse bom, pois conseqüentemente, o outro também manteria o mesmo patamar. Contudo, o episódio mostrou-se deleitável e chistoso de assistir, ainda que não alcançando os grandes ares do da semana passada, de nome “A Gravidez das Coisas”, no qual Bozena, personagem de Alessandra Maestrini, surta e passa a ter delírios, dizendo que os objetos, depois de um tempo sem uso, dão luz àquilo que lhes faz mais falta, como, por exemplo, uma rosa, que dá luz a uma formosa mulher, para satisfazer a sua veleidade de conseguir pôr um vasto sorriso naquela suave boca.
O episódio começou como deve começar: com os protagonistas e jocoso. As interrupções de Mário Jorge nas arengas de Arnaldo foram suficientes para salvar o inicio do programa, que me pareceu um pouco estranho. Depois desta cena, tudo engrenou. Pérsia, a corrupião do Jambalaya, caceteou Celinha, que parecia mais inquietada com seus eletrodomésticos do que com as peripécias amorosas de Copélia, que no Panamá, parecia mais uma roda gigante, ficando às vezes por cima, e outras por baixo, claro que tudo no mau sentido da palavra.
Importante enfatizar o modo de que os autores, em particular Miguel e Maria Carmem Barbosa, têm de criticar algo sem induzir o assunto para a mediocridade. Muito bem arrazoada a alusão ao ex-presidente de Honduras, Manuel Zelaya, que foi destituído e que solicitou asilo político à embaixada brasileira.
Reclamei do mau uso das participações na semana passada, mas, nessa, elogio. Jandir Ferrari foi assaz aproveitado e mostrou, mais uma vez, ser um primoroso profissional, granjeando mais quarenta minutos para expor mais de sua idoneidade na semana que vem. Jânio, no inicio, ganhou meu sufrágio, por ser o único, em toda história do condomínio Jambalaya Ocean Drive, ou “Balança Mais Não Cai”, como preferirem, a ter a seiva de se opor à gestão de Dona Álvara, personagem de Stella Miranda, mas em seguida, ao se revelar um arruaceiro, mudei de lado, análogo a atitude da Itália na Primeira Guerra Mundial.
Arlete Salles, que caminhava um pouco apagada como a Copélia, novamente assoalhou a luz e, conseqüentemente, as risadas vieram com uma altissonante eficácia, mormente quando a “parenta” expõe seus relatos amorosos. Aproveitando o escárnio de Bozena sobre as aventuras sexuais de Copélia pelo planeta, cantando que o titulo das viagens seria “A Volta ao Mundo em Oitenta Camas”, adapto a mesma para “A Volta ao Mundo em Oitenta Moitas”, lugar preferido da sexagenária.
Isadora, glosada pela Fernanda Souza, mesmo com escassas aparições, corroborou que não é a abundância que faz algo legal e sim a qualidade. Seus erros na língua portuguesa, como sempre, mataram-me de rir, mas chacinaram os familiares de amargura. Contudo, o melhor dos deslizes na língua, foi o amplo desacerto de Mário Jorge, que não sabendo o significado de metáfora, explicou qualquer coisa, claro, não ofuscando sua alienação.
A última cena, que apregoou uma continuação, foi divinal e uma das mais chistosas, pois até nisso conseguiram ser engraçados. A gente pensa que a fonte de capacidade criadora secou, porém, somos surpreendidos quando ela volta a imperar. Muito interessante. Nesta mesma cena, novamente uma critica, dessa vez explicita. Os personagens reclamaram descaradamente do horário em que o programa é exibido, sendo esta a justificativa para o desfecho da história ser efetivado na próxima semana. Somou pontos para o episódio, não caindo naquela coisa monótona de simplesmente terminar com um insosso “continua”.
A todos que se opõem a Jânio, torçam para que a bomba de Dona Alvará acerte-o na semana que vem, mas as mulheres que o defendem, saiam às ruas e, como Copélia, gritem: “O Povo na rua. Já, já eu fico nua”.

Abraços!

2 comentários:

Unknown disse...

Muito bom o episódio de terça! Tenho certeza de que a continuação será melhor ainda!
Quanto ao horário, pra mim, tanto faz. O que importa é que o programa está a cada dia mais divertido, e, pelo menos, a gente vai dormir mais feliz.

Viviane Negreiros disse...

Essa na verdade é uma reclamação antiga,mas do que adianta?De nada.A Globo prefere não abrir mal do ultrapassado Casseta e Planeta a colocar algo mais inovador no horário como o TLDC.Enfim,não adianta mesmo mais nada,já que esta é a última temporada.